Botox é aprovado até contra dor de cabeça mas uso inadequado afeta o corpo e a mente

26/07/2011 15:37

                                   

RIO - Dois meses após a esteticista inglesa Kerry Campbell perder a guarda de sua filha Britney, de 8 anos, por aplicar toxina botulínica na menina, para evitar rugas precoces para aumentar as chances da garota em concursos de beleza, novos estudos mostram que o mau uso desta substância é um perigo. Uma pesquisa americana diz que pessoas que recebem injeções da droga na face podem ter dificuldade para sorrir e compreender pensamentos e emoções. Hoje o fármaco - cuja marca mais conhecida é o Botox - deixou de ser exclusividade de dermatologistas e cirurgiões, e serve até para aliviar dor de cabeça e outros males, mas nem todos se beneficiam, alertam médicos.

No Brasil, o abuso de toxina botulínica contra rugas é ainda mais grave, facilitado pelas ofertas de tratamentos a preço de banana em site de compras coletivas, uma prática proibida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). E a Anvisa também é rigorosa em suas restrições, especificando o que pode ou não com relação ao produto, cujo nome vem da bactéria Clostridium botulinum.

E tem razão nisso. Estudo na revista científica "Social Psychological and Personality Science" diz que pés-de-galinha, linhas na testa e vincos entre sobrancelhas são essenciais na interpretação das emoções. Ao aplicar a toxina, o médico paralisa a musculatura facial, reduzindo essas marcas, o que dificultaria a empatia. As pessoas decifram as emoções alheias imitando involuntariamente as expressões umas das outras e, com a toxina, não conseguem isso.

A cirurgiã plástica Wanda Elizabeth Massière, da câmara técnica de produtos e procedimentos estéticos do CFM, reforçar que é preciso evitar os abusos, até porque há estudos inconclusivos sobre a toxina.

- O efeito desaparece em meses. Sabemos que as pessoas não desenvolvem resistência ao produto, mas precisamos investigar seu raio de ação - diz Wanda, que juntamente com outros médicos faz um estudo clínico com 60 pacientes para verificar isto, e os dados poderão ajudar a melhorar o tratamento e torná-lo mais seguro.

 Fonte: O GLOBO