Fluxo cambial em julho está positivo em US$ 10,87 bilhões e dólar tem nova queda recorde a R$ 1,53

26/07/2011 15:33

BRASÍLIA e RIO- O movimento de câmbio até o dia 22 deste mês, segundo dados do Banco Central (BC), revela que a moeda estrangeira continua inundando o mercado brasileiro. Neste mês, o fluxo cambial (diferença entre entrada e saída) já está superavitário em US$ 10,87 bilhões. É o maior resultado desde março deste ano. Entre janeiro e julho, entraram no país US$ 50,7 bilhões.

De acordo com dados parciais de julho, a conta financeira registrou saldo de US$ 7,693 bilhões, com compras de US$ 29,925 bilhões e vendas de US$ 22,231 bilhões. A comercial, outro item do movimento de câmbio, ficou com resultado positivo de US$ 3,177 bilhões - diferença entre exportações de US$ 15,981 bilhões e importações de US$ 12,804 bilhões.

O BC informou também que a posição vendida dos bancos caiu de US$ 14,696 bilhões no fim de junho para US$ 8,127 bilhões até o dia 22 deste mês - fruto da ação do BC que aumentou o compulsório sobre a posição vendida das instituições financeiras.

O dólar comercial voltou a cair no pregão desta terça-feira e bateu R$ 1,530 na mínima às 9h54, menor cotação desde 15 de janeiro quando fechou negociado a R$ 1,466. Por volta das 14h, o dólar caía 0,32%, a R$ 1,538 na venda e a R$ 1,536 na compra.

A queda recorde ocorreu mesmo depois da nova promessa do ministro da Fazenda, Guido Mantega, na segunda-feira, de que o governo agiria contra a valorização do real. Em São Paulo, Mantega falou em tomar novas medidas para frear a valorização da moeda brasileira.

- O governo continua olhando seriamente para o câmbio e sempre estaremos propensos a tomar medidas que impedirão que haja uma valorização excessiva da moeda brasileira - disse Mantega em palestra na capital paulista.

Na segunda-feira, o dólar fechou cotado a R$ 1,543 na venda, queda de 0,64%. Com isso, a moeda americana renovou o menor valor desde 18 de janeiro de 1999, quando fechou cotada a R$ 1,538.

Em 13 de janeiro de 1999, depois de perder mais de US$ 5 bilhões em reservas em apenas dez dias para tentar conter a disparada do dólar, o BC desistiu de intervir no mercado. O país abandonou o regime de bandas cambiais e, depois de uma confusa transição, adotou de vez o câmbio flutuante. O dólar fechou aquele fatídico mês de janeiro em R$ 2,08.


Fonte: O Globo