Irritados, clientes chineses de lojas falsas da Apple pedem o dinheiro de volta\

22/07/2011 16:54

 KUNMING, China - Nesta sexta-feira, clientes de uma loja da Apple na cidade chinesa de Kunming foram até o estabelecimento exigir a restituição de valor dos produtos comprados após uma blogueira americana que mora na China revelar que as lojas são falsas e não tem licença para utilizar a marca Apple ou revender seus produtos no país, provocando um frenesi na mídia mundial e milhares de comentários na internet.

 

 

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A Apple foi alertada sobre os falsificadores e revendedores não autorizados em lojas impecáveis e falsas por uma blogueira americana que vive em uma cidade no sudoeste na China, a mais de 1.600 Km das lojas genuínas mais próximas da Apple, em Pequim e Xangai.

 Quando ouvi a notícia, corri aqui imediatamente para conseguir um recibo. Eu estou muito aborrecida com isso - disse uma cliente de sobrenome Wang, aos prantos. - Com uma loja desse tamanho, ela parece tão crível. Quem teria pensado que era falsa? - completou ela, que parecia não saber o que fazer diante da situação.

Wang, de 23 anos, trabalha em escritório e disse que não daria seu primeiro nome por vergonha. Ela pagou 14.000 iuans (US$ 2.170) no mês passado na compra de um Macbook Pro de 13 polegadas e um iPhone 3G, na loja falsa de Kunming. Segundo Wang, a loja não emitiu um recibo no momento da compra. A equipe teria dito para voltar mais tarde que o recibo seria entregue. Wang voltou nesta sexta-feira, enfurecida.

- Onde está o meu recibo, você me prometeu no mês passado! - gritou Wang para os funcionários, antes de ser levada para uma sala no andar de cima para se acalmar.

Os funcionários da loja também estavam irritados com toda a atenção indesejada dada ao caso depois de mais de mil sites de notícia publicarem a história e imagens da loja que foram postadas primeiro no BirdAbroad , da americana que relevou ao mundo fotos das lojas falsas da Apple na Ásia.

- A mídia está dizendo que somos uma loja falsa, mas nós não vendemos falsificações, todos os nossos produtos são reais, você pode verificar isso sozinha - disse um funcionário, que não quis dar seu nome.

- Não há nenhuma lei chinesa que diz que não posso decorar a minha loja do jeito que eu quero decorá-la - se referindo à maçã da Apple no letreiro que dizia 'Apple Store' em chinês e inglês, sem autorização da companhia americana.

Entretanto, nem todos os clientes estavam chateados com a revelação de que a loja da Apple citada não era genuína.

- Enquanto os seus produtos foram reais está tudo bem. Afinal, você entra em uma loja e não olha para nada, exceto para seus produtos - disse Hu Junkai, de 18 anos. - Se os produtos que vendem são reais, por que você se importa se a loja é falsa? - indagou.

Mas Wang não estava convencida. Afinal, sem uma loja original não teria os mesmos direitos que um consumidor comum como garantia e serviço técnico.

- O maior motivo da minha chateação é que eu gastei tanto dinheiro nesta loja e eu nem sei se o produto é real ou não - disse ela. - O que posso fazer? Eles não vão me dar um reembolso.

A Apple Store falsa fica em uma rua comercial, somente para pedestres e tem um logo da Apple preto e brilhante na porta. Dentro, há cartazes da Apple nas paredes além de iPads e computadores Macbook exibidos em mesas de madeira.

A loja se parece muito com as Apple Stores encontradas em todo o mundo, mas alguns detalhes pecam em má qualidade e chamam a atenção de quem é mais observador.

A Apple não quis comentar sobre as lojas falsas ou outros fasificadores de produtos espalhados pela China.

A empresa de Cupertino, Califórnia, tem apenas quatro lojas originais em Pequim e Xangai e nenhuma em Kunming.

Fonte : Reuters