Metade das famílias se recusam a doar os órgãos de um parente morto

04/08/2011 20:52

Os dados são de uma pesquisa realizada com 1.736 famílias feita pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). Segundo a ABTO, o número reforça a importância de programas educacionais para a população

50% das famílias se recusam a doar os órgãos de parentes falecidos no Brasil. Apesar das inúmeras campanhas de incentivo à doação de órgãos, dados de uma pesquisa realizada com 1.736 famílias feita pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) mostram que o brasileiro ainda reluta em deixar os órgãos de seus parentes mortos serem doados, embora o número de doadores efetivos tenha aumentado nos últimos anos.

Segundo a ABTO, o número reforça a importância de programas educacionais para a população e de treinamento para os entrevistadores. Essa é a primeira vez que a associação analisa os casos de negativa familiar levando em consideração o número exato de entrevistas feitas e não o número de potenciais doadores - já que nem todas as famílias chegam a ser consultadas.

Segundo o presidente da ABTO, Ben-Hur Ferraz Neto, o órgão mudou a forma de avaliar as negativas familiares para não gerar porcentuais falsos. “Às vezes não há tempo hábil para a equipe abordar a família porque o paciente tem uma parada cardíaca antes, o órgão piora ou o paciente tem outra contraindicação. Essa família não pode entrar na estatística”, diz.

Ainda segundo Ferraz Neto, esse número de negativas é “aceitável” para o Brasil. Para ele, a falta de informação dos familiares sobre o que realmente é a morte cerebral, o despreparo da equipe no momento de abordar a família e até a cultura brasileira são fatores que interferem.

“A população não foi preparada para isso. Mas, para a nossa cultura, é indiscutivelmente melhor a família autorizar”, afirma Ferraz..

Uma das saídas para aumentar o número de doações seria reinstaurar o debate sobre a doação presumida de órgãos. Em 1997, o governo federal instituiu a doação presumida. A ideia era que todo cidadão seria um potencial doador quando morresse e, caso contrário, deveria registrar a recusa no documento de identidade. A legislação não vingou e o então presidente Fernando Henrique Cardoso pôs fim à lei e hoje só doa quem assim o quiser e informar a família ainda em vida.

“O padrão cultural brasileiro é o núcleo familiar. E questões religiosas não se resolvem com decretos ou lei. Acho que a tendência é mantermos o consentimento familiar”, diz Heder Murari Borba, do Ministério da Saúde, que acredita que o brasileiro ainda está muito ligado a questões religiosas para que se institua a doação presumida.

 

Doador efetivo



Apesar de as negativas familiares ainda serem altas, o número de doadores efetivos atingiu o recorde dos últimos oito anos. Pela primeira vez o Brasil superou a marca de 10 doadores por milhão. No primeiro semestre deste ano, 983 doadores tiveram seus órgãos transplantados (o que representa 10,3 doadores por milhão de pessoas). No mesmo período de 2010, foram 936 doadores efetivos com órgãos transplantados (9,9 por milhão).

Segundo Borba, a meta é chegar a 15 doadores efetivos com órgãos transplantados por milhão de pessoas. A Espanha, referência no assunto, registra 35 doadores por milhão. “Com capacitação e treinamento, a meta do ministério é dobrar o número absoluto de transplantes até o fim de 2015?”, afirmou.

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Fonte: Redação ÉPOCA, com Agência Estado