Pagar contas no cartão de crédito é mau negócio

04/08/2011 19:30

Medida instituiu alíquota de IOF para as pessoas físicas de 3% ao ano, para pagamento de contas com cartão de crédito. Com a taxa cobrada pelas operadoras, negócio é presente de grego

Quem utilizar o cartão de crédito para quitar qualquer tipo de conta terá que pagar 3% ao ano de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) incidente sobre operações de crédito. Para pessoas jurídicas a alíquota é de 1,5%.

Segundo o governo, esse tipo de operação consiste, na prática, em empréstimo e, portanto, o imposto deve ser cobrado. A medida vai auxiliar no combate às pressões inflacionárias. “É uma ação para aumentar a arrecadação e enxugar um pouco do crédito disponível no mercado”, resume o professor de educação financeira Mauro Calil.

O imposto, que já era aplicado em transações como o limite do cheque especial e do crédito rotativo do cartão, deixa o pagamento de contas com dinheiro plástico praticamente inviável, garante Calil. Para ele, nem um excelente programa de bonificação justificaria usar o cartão para pagar contas.

“O que já era ruim ficou péssimo. Se a multa do atraso de uma conta de luz é, por exemplo, de 1% mais mora de 1% ao mês, pagar com o cartão de crédito é jogar dinheiro fora”, explica. Para o educador, a única justificativa para operações do tipo é se a multa for superior a 10%. “Neste caso, talvez, o IOF mais a taxa cobrada pela operadora seja menor."

Um recado

Taxando as operações de crédito o governo sinaliza que quer controlar a utilização maciça de crédito, antes estimulada por uma série de medidas que incentivavam o consumo com o intuito de aquecer a economia no período pós-crise internacional (2008).

Com a economia muito aquecida e a escalada de preços, o governo tenta diminuir a busca desse crédito, tornando-o mais caro para tentar controlar a inflação, que já superou o teto da meta, de 6,5%.

Para a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), o governo mandou ontem um recado explícito ao consumidor: pare de comprar.

"A publicação serve como alerta ao tomador de crédito. Este não é um bom momento para comprar", explica o vice-presidente da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira.

Com o real forte, os brasileiros estão viajando mais e voltando para casa com as malas cheias de produtos importados. Só no ano passado, foram gastos US$ 16 bilhões  com compras lá fora. Em uma tentativa de diminuir o movimento, o governo aumentou o IOF para 6,38% das compras internacionais feitas com cartão de crédito a partir de março.

De acordo com especialistas, os gastos vão continuar crescendo apesar da alta do IOF. “Desestimular as compras fora do País, frear o consumo e proteger a indústria com o câmbio a R$ 1,50 é impossível. Será necessário muito mais que isso”, diz Oliveira.

 

Fonte:Istoé  por Flávia Gianini