Serralheiro confessa à polícia ter batido em pai e filho em SP

20/07/2011 11:14

São Paulo — A Polícia de São Paulo prendeu, ontem, na cidade de Vargem Grande, interior paulista, um homem que confessou ter mordido na sexta-feira a orelha de um vendedor autônomo de 42 anos por acreditar que ele fosse homossexual. O vendedor estava abraçando o filho de 18 anos em uma feira agropecuária quando foi abordado por seis homens que questionaram se ambos eram gays. Mesmo com a negativa, pai e filho foram agredidos até desmaiarem. A mãe do jovem pediu para não ser identificada, mas contou que os agressores são conhecidos na região e trabalham em fazendas e matadouros próximos. “Meu filho não é gay. Ele mora comigo e tem namorada. Acho um absurdo ele ter apanhado”, diz a mulher de 37 anos.

O pai teve parte da orelha arrancada por uma mordida do agressor e o filho ficou com hematomas pelo corpo (Rivaldo Gomes/Folhapress)  
O pai teve parte da orelha arrancada por uma mordida do agressor e o filho ficou com hematomas pelo corpo
Em depoimento, o pai disse que os agressores haviam feito piadinhas em outra ocasião na mesma feira. “Nós apanhamos de graça”, resumiu. A vítima conta que não mora com o filho porque se separou da mãe dele. “Sempre que a gente se encontra, uma vez por mês, a gente fica no maior chamego. Isso fez os agressores pensarem que somos gays. Acho que ninguém merece apanhar desse jeito, nem mesmo os gays”, ressalta.

 Segundo o delegado Fernando Zucarelli, do 1º Distrito Policial de São João da Boa Vista, próxima à Vargem Grande, um inquérito foi aberto para apurar o caso e os próprios moradores da região apontaram o agressor e seus comparsas. Em depoimento, um deles, um serralheiro de 25 anos, assumiu que bateu nos dois por estar bêbado e achar que eles eram um casal homossexual. Mesmo confessando o crime, o juiz da cidade não aceitou o pedido de prisão e o suspeito foi solto ontem, no início da noite.

O autônomo agredido contou que o seu algoz e o do filho é um homem forte e que bateu sozinho nos dois. Segundo ele, antes da agressão, a população havia espalhado que ele poderia ser um pedófilo aliciando um jovem. “Eles não sabiam que era o meu filho”, contou. No meio da confusão, um segurança puxou o agressor, que estava sobre a vítima. Nesse momento, o vendedor levou uma mordida na orelha, decepando-a pela metade. O filho ficou com hematomas no corpo.

Segundo o Grupo Gay da Bahia, o Brasil é recordista mundial em agressões contra homossexuais. De acordo com estatísticas da entidade, nos últimos 20 anos, foram assassinados 1.661 gays. A média anual é de 80 assassinatos na década de 1980 e de 120 na década seguinte. Mas, nos últimos anos, ela tem crescido. Só em São Paulo, foram registradas 145 agressões no ano passado e 56 no primeiro semestre deste ano.

 
Ullisses Campbell