Terça-feira, 26 de Julho de 2011

26/07/2011 16:26

Visitar uma galeria de arte requintada é como entrar na Daslu de chinelo e deparar com uma vendedora te olhando de cima a baixo. O ambiente não costuma ser acolhedor. Raramente, há preço nas peças (é comum presumir que, se você entrou ali, é porque o dinheiro sobra). A soma desses fatores pode assustar os visitantes. Para esses, a boa notícia é que dá para adquirir obras de qualidade por meio da internet. Com preços que têm mais a ver com a realidade brasileira e forma de pagamentos facilitadas, as galerias de arte virtuais têm conquistado o público. E chamado a atenção de artistas renomados e de outros que ainda buscam espaço.

O pintor Rodolpho Parigi, 33 anos, por exemplo, é, atualmente, um dos nomes em ascensão na cena da arte contemporânea. Na galeria que o representa, a tradicional Nara Roesler, seus quadros custam entre R$ 30 mil e R$ 50 mil. Mas na galeria de arte virtual Motor, pode-se comprar uma gravura do artista por R$1,8 mil – ele não vende quadros no site. “Fiz esses trabalhos (as gravuras) exclusivamente para a Motor porque quis divulgar a minha arte num suporte diferente: a internet”, diz o artista. “Fico feliz que mais pessoas possam ter um trabalho meu em casa”.

Camila Belchior, diretora e curadora da Motor (a galeria tem quase dois anos de existência) conta que vende desde obras de iniciantes até trabalhos de artistas veteranos. São 100 artistas, com 350 obras, entre pinturas, esculturas, objetos, fotografias, gravuras e vídeos, e que custam de R$ 250 a R$ 9 mil.

Camila conta, também, que o trabalho de seleção das obras é diferente do que acontece numa galeria tradicional. “Como o cliente vê as obras pela tela do computador, não adianta colocar uma arte que é linda a olho nu, mas que não fica tão bem representada na web”, diz ela. Desenhos delicados, segundo Camila, tendem a perder um pouco da beleza quando o suporte é o cristal líquido da tela dos computadores. A curadora também chama a atenção para as novas possibilidades que a tecnologia oferece em relação ao consumo da arte. Na Motor, por exemplo, cada obra tem um código de realidade aumentada. O cliente pode imprimi-lo, colocá-lo no lugar da casa onde gostaria que a obra ficasse e apontar uma webcam para o espaço. A obra aparece, então, totalmente integrada ao ambiente.