Casas e apartamentos estão cada vez mais automatizados

Casas e apartamentos estão cada vez mais automatizados

 

Depois de um longo dia de trabalho, nada melhor do que, ao chegar em casa, ter o banho preparado com a água na temperatura ideal e não se preocupar com a roupa para lavar, pois a máquina já fez isso durante o dia (e também secou). Saber que as cortinas já estão fechadas; a televisão, programada, e que o ar-condicionado está do jeito que você gosta também não parece nada mal. Situações do futuro? Nem tanto. Os investimentos mundiais no mercado de automação residencial devem crescer, até 2015, mais de 33%, chegando a US$ 9,5 bilhões — quase US$ 7 bilhões a mais do que o registrado no ano passado, de acordo com a consultoria Berg Insight. A previsão da Associação Brasileira de Automação Residencial (Aureside) é que serão movimentados R$ 200 milhões no Brasil com a implantação desses serviços em prédios e casas até o fim deste ano.

 

O crescimento das chamadas casas inteligentes vem acompanhado da melhor situação financeira da população, que agora investe em televisores de LCD, smartphones, tablets, entre outros aparatos tecnológicos. “Ficamos atrasados durante muito tempo. Tudo evoluiu, mas nossas casas, não. Essa nova geração que está comprando uma residência já nasceu conectada, tem a tecnologia no DNA e começa a requisitar o sistema. A pessoa sai de um mundo todo conectado, no trabalho, por exemplo, e chega em casa, onde ainda se tem que abrir a porta com uma chave”, explica Ricardo de Oliveira, diretor comercial da iHouse, especializada em automação residencial. Entre os produtos da empresa que mais fazem sucesso está o Smartdoor, que permite que as portas das casas sejam abertas pela identificação da impressão digital (leitura biométrica) ou por senhas numéricas programadas.

“Essa é uma tendência. E os empreendimentos que serão lançados a partir de agora dificilmente não terão a tecnologia. Assim como hoje temos uma tomada e um interruptor, daqui a cinco anos um quadro para controlar todas as funções será mais do que comum”, explica Rubens Useki, diretor-comercial da unidade Centro-Oeste da Brookfield Incorporações. Nos apartamentos de um recente empreendimento da empresa em Águas Claras, o proprietário vai ter toda a infraestrutura pronta para receber o sistema de automação.

Projetos

Ao instalá-lo, o morador poderá, pelo iPad ou pelo iPhone, usar o controle integrado de áudio e vídeo, TV, DVD, home theater, iluminação da casa e ar-condicionado. Assim, será possível alterar a temperatura, subir e abaixar a cortina, colocar a música preferida e selecionar pontos de iluminação da casa para criar um ambiente ideal, apenas tocando no aplicativo instalado na prancheta eletrônica ou no smartphone. “Estamos com quase 50% de unidades vendidas só no pré-lançamento. O grande diferencial é essa preparação para a automação”, ressalta Useki.

Dependendo do que o cliente quer, os custos podem ser altos. Um projeto pode variar de R$ 2 mil a R$ 200 mil, segundo a Aureside. “A procura subiu muito pelo fato de o preço ter caído. Antes, precisaríamos de R$ 15 mil para fazer o trabalho; hoje, com menos de R$ 3 mil, já é possível elaborar a automação”, explica Oliveira, da iHouse.

A maioria dos projetos para deixar a casa inteligente usa os smartphones e tablets para controlar os objetos. Pensando nesse mercado, o Google apresentou o Android@Home (lê-se Android at home, ou Android em casa, em português). Com o sistema do gigante das buscas, será possível controlar todos os eletrodomésticos — como a máquinas de lavar e a lava-louças —, além dos aparelhos de som, luzes e até mesmo de irrigação, por meio de um aplicativo.

O projeto ainda está em desenvolvimento, mas o Google já conta com dois parceiros. A Lighting Science Group, empresa fabricante de lâmpadas LEDs, anunciou que até o fim do ano terá a primeira lâmpada compatível com o Android@Home. A Hasbro, companhia que produz brinquedos, deve fabricar robôs controlados pelo sistema — robôs, aliás, que reconhecem até o humor do usuário.


ENERGIA SEM FIOS

Um sistema de eletricidade promete revolucionar tarefas simples como recarregar o telefone celular. A WiTricity, empresa norte-americana, lançou uma tecnologia que permite transferir, sem fios, a energia elétrica para equipamentos eletrônicos e até mesmo automóveis movidos a bateria.

A tecnologia abriu os olhos de Steve Jobs, que patenteou a “energia sem fio utilizada em um ambiente para computadores”, mas que deve ser a nova forma de recarga dos aparelhos da empresa daqui a alguns anos.

 

 

Ataide de Almeida Jr.