Com queda na demanda para alguns destinos, viajar agora pelo País fica mais barato

Com queda na demanda para alguns destinos, viajar agora pelo País fica mais barato

Apesar de as festas, férias e o Carnaval terem passado, ainda há bons motivos para viajar. Depois das fortes movimentações nas estradas do País, típicas de início de ano, o turismo nacional de lazer se acalma – o que significa preços menores com relação aos meses anteriores.

Somente com hospedagem, dá para pagar até 50% menos agora, frente às tarifas cobradas no primeiro trimestre. “Nos meses de abril e maio há uma queda natural dos preços, por isso, agora é um bom momento para viajar”, acredita o presidente da ABIH-Nacional (Associação Brasileira da Indústria Hoteleira), Enrico Fermi.

Para ele, a queda natural dos preços nessa época do ano poderia ser maior. “Com o crescimento da classe média emergente, nosso turismo interno cresce cada vez mais”, diz Fermi. E demanda forte pressiona os preços dos pacotes, passagens e diárias dos hotéis. Nessa época do ano, Fermi calcula que a média de ocupação nos hotéis do País fica em torno de 65%, sendo que beirava aos 100% no início do ano.

Se para o turismo de lazer, focado mais nas cidades do litoral, a baixa temporada pode garantir economia para o turista, para o turismo de negócios, a alta temporada começa agora – motivo para o encarecimento dos pacotes de muitos destinos nessa época do ano. Mas essa segmentação, na avaliação de Fermi, está cada vez menos intensa. “Há uma mudança de foco nos destinos”, afirma.

Dessa forma, aquelas cidades que eram mais voltadas para o lazer, como o Rio de Janeiro, por exemplo, começam a despontar como pólos de negócios, mantendo um equilíbrio cada vez maior entre os preços de alta e baixa temporada. “Há uma tendência para isso”, considera Fermi.

Rio de Janeiro: exposição internacional mantém turismo aquecido
Na capital carioca, mesmo a baixa temporada deve registrar bons números – reflexo do crescimento que o segmento já vem apresentando desde que a cidade se tornou referência mundial, por conta da Copa e da Olimpíada. Somente no segundo semestre de 2010, houve um aumento de cerca de 8% no turismo internacional na cidade. “No primeiro semestre deste ano, esse crescimento deve ficar em 5%”, afirmou o presidente da ABIH-RJ, Alfredo Lopes de Souza Júnior.

E para essa temporada, Lopes vê a cidade mais calma, mas não paralisada. “Agora, sai o turista de lazer e entra o de negócios. Temos um calendário corporativo forte”, diz. E esse calendário de eventos deve garantir à cidade um aumento na ocupação média dos hotéis. No segundo semestre de 2010, a ocupação média ficou em 68%. “Nesse semestre, a gente deve crescer em torno de 15% e a ocupação deve ficar em 78%”, diz.

O motivo para as boas perspectivas para o fechamento do semestre, na avaliação de Lopes, é a ampliação da rede hoteleira e a exposição positiva do País no exterior. “Já temos 1 mil novos quartos e ainda contamos com um cenário de fundo muito positivo, como a repercussão internacional da ocupação dos morros da cidade, por exemplo. Isso traz mais segurança aos turistas”, avalia.

A boa imagem foi solidificada pela visita do presidente dos EUA, Barack Obama, à cidade. "Os Estados Unidos é o maior exportador de turistas e essa visita é importante porque estamos perdendo turistas norteamericanos. De alguma forma, ele vai dar a 'benção' à cidade”, afirma Lopes.

São Paulo: foco agora é nos negócios
Se para o Rio de Janeiro a exposição internacional gerada pelos grandes eventos mantém o turismo aquecido, na capital paulista, os negócios movimentarão os aeroportos e hotéis da cidade. “A cidade volta ao mercado corporativo”, afirma o presidente da ABIH-SP, Bruno Omori.

Durante o verão e Carnaval, apesar das opções de lazer e cultura, a cidade acaba perdendo espaço para as cidades do interior e litoral. Nesse período, a ocupação nos hotéis da cidade não chega a 60% e os preços chegam a cair, em média, 30%. “Em março, houve uma demanda reprimida de negócios e eventos, que deixaram de ser feitos no início do mês devido ao Carnaval”, avalia.

Passada a folia, a cidade retoma seu ritmo e lota os hotéis. “Agora, os eventos não param mais, exceto nos feriados, e seguem fortes até a primeira quinzena de dezembro”, afirma. Com isso, quem quiser conhecer a cidade agora pode não encontrar preços tão atraentes. “Eles voltam aos patamares anteriores”, afirma Omori.

Com calendário de eventos forte, a ocupação hoteleira na cidade chega a 95% durante a semana, e fica entre 45% e 60% durante os finais de semana.